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1ª Declaração Paulo T B

 

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Paulo Torres Bento Candidato à Assembleia Municipal

Razões para um posicionamento político

A candidatura a um órgão político democrático não necessita de quaisquer outros justificativos para além do que decorre da livre afirmação de uma cidadania activa. Ainda assim, uma postura cívica no concelho – a que estou ligado desde há duas décadas e onde fixei residência em 1995 – desde sempre pautada por alguma equidistância relativamente às forças partidárias representativas da esquerda caminhense, leva-me a esclarecer as razões pelas quais agora tomarei voz por uma delas. Ninguém mais do que eu lamenta a absurda incapacidade da esquerda portuguesa, no respeito pela saudável e desejável diversidade ideológica, em encontrar plataformas de entendimento – ao contrário da direita que por diversas vezes na história recente não tem desperdiçado essa oportunidade. As vantagens de juntar esforços na acção com base em objectivos comuns ainda há pouco foram evidenciadas em Caminha quando do referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, permitindo ao SIM a obtenção de um desempenho notável no contexto distrital e regional.
Dois anos decorridos a lição tarda em dar frutos e, apesar de haver ainda tempo, receio bem que mais uma vez a esquerda caminhense vá a votos lamentavelmente dividida. Sem atribuir culpas a quem quer que seja, não se venha contudo depois evocar o malfadado voto útil que, falo por mim, serve tão somente para violentar consciências e tão maus resultados tem dado. Não abdicando da condição de independente, mesmo estando consciente da ambiguidade a que ela se presta num sistema constitucional fortemente partidarizado como o português, expresso pois as razões para a minha integração na lista candidata do Bloco de Esquerda (BE) à Assembleia Municipal de Caminha.

Primeiro, constitui uma forma de apoio ao BE, às suas propostas políticas e à forma desassombrada como tem vindo progressivamente a assumir no nosso país, desde a sua fundação há dez anos, a representação de uma esquerda crítica e alternativa. As eleições autárquicas têm particularidades próprias mas, cada vez mais, as políticas municipais são indissociáveis das grandes questões regionais, nacionais, europeias e até globais. Assim sendo, torna-se inevitável associar questões com repercussões locais — como o gravoso traçado da A28 no concelho, por exemplo — com opções erradas tomadas a nível governamental, sustentadas no apoio ou silêncio de representantes distritais que mudam de posição de acordo com o lugar momentaneamente ocupado pelo seu partido, na oposição ou no poder. Do mesmo modo, são evidentes as repercussões nos munícipes caminhenses de decisões que afectam os portugueses em geral, como sejam as que levaram à diminuição dos tempos de prestação de cuidados de saúde no concelho ou as que implicaram injustificáveis perdas de direitos dos trabalhadores.

Segundo, porque faz falta a voz do Bloco de Esquerda nos órgãos autárquicos de Caminha. Num concelho histórica e sociologicamente progressista — como se comprovou no referendo de 2007 sobre a IVG — há cidadãos que partilham dos valores da esquerda crítica, votam regularmente no Bloco nas eleições nacionais e europeias mas não estão ainda representados a nível autárquico. A justa constatação de uma menor visibilidade do BE no concelho — apesar de intervenções pontuais importantes, nomeadamente a nível cultural (como foram o caso do Teatro Valadares e das Estações Arqueológicas) — decorre, em grande parte, dessa ausência de representação local. Eleitos do BE na Câmara e na Assembleia Municipal de Caminha contribuiriam certamente para enriquecer e tornar mais plural o debate político concelhio. Acresce que, em prejuízo da liberdade de expressão e participação dos caminhenses, a democracia não tem sido bem tratada nestes últimos oito anos de governo municipal à direita. A contínua crispação do ambiente político, a tendência para a recorrente judicialização das simples divergências de opinião e a sensação de discriminação que transparece de muitas decisões, são apenas os efeitos mais visíveis da falta de cultura democrática da actual maioria.

Terceiro, porque o Bloco de Esquerda tem propostas credíveis e inovadoras para o desenvolvimento sustentável do município e a melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes. Brevemente tal se poderá verificar pelo seu programa eleitoral, ainda em preparação, que se pretende bem alicerçado nas realidades locais e nas aspirações dos caminhenses, com destaque para os mais desfavorecidos e os jovens que prosseguem ou terminam os seus estudos e se preparam para integrar o mercado de trabalho em tempo de crise económica e precariedade laboral. Também o significativo facto de colocar a coesão territorial no centro das políticas municipais — como, quase isolado, vem afirmando desde a sua emergência no concelho — mostra bem a vontade dos futuros eleitos do BE em quebrar, no discurso e na prática, com injustificáveis bairrismos que condicionam os comportamentos dos actores políticos locais desde há décadas. Em contrapartida, no respeito pela diversidade e memória histórica e cultural de cada uma das suas vinte freguesias, o concelho de Caminha precisa de uma política solidária e independente de quaisquer interesses económicos ou outros que permita interromper um modelo de desenvolvimento ultrapassado que apenas se serve do ambiente e da cultura como reclames turísticos.

No próximo mês de Outubro, passadas as eleições europeias e legislativas em que se espera, justificadamente, ver reforçadas as representações do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu e na Assembleia da República, constataremos se os eleitores confiarão ao BE os votos necessários para inaugurar uma nova representação política nos órgãos autárquicos do concelho. Em conjunto com os outros candidatos locais do Bloco desenvolveremos todos os esforços para que assim seja, certos de que os caminhenses farão a justiça de ouvirem as propostas que temos para apresentar antes de decidirem em consciência e em liberdade no dia das eleições.

Paulo Torres Bento


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