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Bloco de Esquerda propõe respostas ao maior desemprego de sempre no concelho de Caminha
Desde que se conhecem registos oficiais, nunca anteriormente o desemprego do concelho de Caminha tinha atingido um nível tão elevado. Precisamente 831 pessoas, se contarmos apenas os trabalhadores actualmente inscritos no centro de emprego de Viana do Castelo porque, como se sabe, muitos outros se encontram sem trabalho mas não integram as estatísticas oficiais, nomeadamente aqueles que desejam trabalhar mas que pelo facto de não terem diligências comprovadas para arranjar emprego nas últimas quatro semanas anteriores aos inquéritos já não são considerados.
Para se ter uma ideia da subida exponencial do desemprego no nosso concelho, recorde-se que há apenas quatro anos, em Dezembro de 2007, o número de caminhenses nessa situação era de 451, quase metade do valor agora divulgado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. Percentualmente, a taxa de desemprego no concelho, que era de 7% em 2001, terá já ultrapassado uns inéditos 12%. Ainda segundo os dados do IEFP, o índice de desemprego em Caminha atingiu um outro pico em Fevereiro de 2010 (782), desceu depois ligeiramente até Julho deste ano (659) e disparou desde aí, atingindo o seu máximo de sempre neste mês de Novembro com as citadas 831 pessoas desempregadas.
São números assustadores mas, infelizmente, não surpreendentes, sabendo-se do processo de insolvência da construtora “Aurélio Martins & Sobreiro” e do fecho definitivo da empresa têxtil “Mourassos” (ou de uma sua estranha subsidiária). Já para não falar do recente anúncio de despedimentos na “Cooperativa de Ensino Ancorensis”, que contudo não estará ainda contabilizado nas estatísticas. Só no mês de Novembro foram registados 154 novos desempregados no concelho e apenas uma nova colocação, demonstrando uma gritante incapacidade de criação de emprego. Tudo indica que, com uma economia local de rastos, a tendência do desemprego concelhio seja para subir no futuro próximo, originando uma situação socialmente insustentável, ainda para mais quando já terminaram, ou estão prestes a terminar, os prazos de recebimento dos subsídios de desemprego das trabalhadoras da empresa têxtil Regency, que encerrou portas no final de 2009, e de uma primeira leva de despedimentos da “Mourassos” no verão desse ano.
Este estado de coisas, que reduz à inactividade pessoas capazes e válidas e atira para a emigração as gerações mais jovens, resulta em grande parte de políticas erradas no passado recente pelo que muito dificilmente se inverterá com as mesmas políticas. No nosso concelho, como no país, além de alargar a rede de protecção social para atender aos casos mais urgentes, exige-se que sejam adoptadas rapidamente estratégias inovadoras de estímulo à criação de emprego, ausentes até ao momento. Reiterando ideias que temos vindo a defender, propomos (1) criação de dois pólos de incubação de empresas, aproveitando as instalações dos centros coordenadores de transportes de Caminha e de Vila Praia de Âncora, proporcionando aos empreendedores um espaço de trabalho, electricidade, água e comunicações gratuitas por um período de dois anos; (2) implementação de programas públicos de requalificação das estradas municipais e de habitação social, reactivando a pequena e média construção civil do concelho; (3) redução, até ao final de 2012, do prazo médio de pagamento aos fornecedores da Câmara de 6 para 3 meses, injectando capital na debilitada economia local.
Quando se aproximam as festas natalícias e um novo ano, são estas propostas concretas e exequíveis que, a ser adoptadas, poderão dar alguma esperança e alento às famílias caminhenses que enfrentam o flagelo do desemprego. Não nos resignemos à estagnação económica, não nos resignemos à pobreza, não nos resignemos ao aumento da desigualdade social.
Núcleo de Caminha do Bloco de Esquerda