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Comunicado BE de Caminha
2009/12/06, 23:10
Filed under: Núcleo de Caminha

Ao lado dos trabalhadores da Regency

Os trabalhadores da Regency foram confrontados na passada sexta-feira, 4 de Dezembro, com o anúncio do processo de insolvência da fábrica onde muitos deles trabalham há quase duas décadas. Após seis meses de lay-off, o advogado representante do grupo indiano Raymond na Europa e gerente da empresa sediada em Portugal, com escritório em Londres, deslocou-se a Vilarelho e deu a notícia aos cerca de 180 trabalhadores de que a empresa tinha optado por apresentar o pedido de insolvência.

O concelho de Caminha entrou no fim de semana sob esta ameaça de desemprego eminente que afectará muitas famílias. O impacto social será fortíssimo. As circunstâncias em que este processo se define é que estão longe de ser transparentes.

Há sete meses, logo após o anúncio do lay-off, alertámos para evidências no relatório de contas do grupo Raymond que apontavam para um desinvestimento na Regency. Através da Assembleia da República o Bloco de Esquerda questionou o governo, para o alertar para a situação. A demora e o teor da resposta revelaram desleixo e alheamento de quem devia estar preocupado e agir rapidamente.

O argumento com que se procura explicar a situação da fábrica, “a falta de encomendas”, não pode ser aceite de forma leve. Há perguntas a fazer:

1. É ou não verdade que o grupo Raymond decidiu há muito que esta unidade fabril deixou de ser interessante para a sua estratégia internacional?

2. É ou não verdade que no espaço de um ano criaram todas as condições para canalizar para outras unidades do grupo encomendas internacionais?

3. É ou não verdade que a representação de Londres que desenvolvia trabalho comercial para a fábrica portuguesa passou a ter em paralelo um outro escritório do grupo a concorrer directamente?

4. É ou não verdade que um director comercial pago integralmente pela Regency desenvolvia trabalho internacional para o grupo e que após ter sido dispensado da subsidiária portuguesa passou a assumir responsabilidades de marketing do grupo na Europa?

5. É ou não verdade que antes de iniciarem este processo de deslocalização os colaboradores com responsabilidades de direcção na Regency negociaram individualmente a desvinculação da empresa, passando à situação de “recibo verde”?

6. É ou não verdade que apesar de estarem a proceder a um caminho de liquidação da Regency não se coibiram de concorrer a um incentivo para inovação produtiva, no âmbito do QREN (fundos europeus), que lhes deu direito a receber recentemente do estado português mais de cem mil euros?

São perguntas simples a que os responsáveis da empresa devem dar respostas também simples, aos trabalhadores e ao concelho que a acolheu com facilidades e apoios desde o início.

A Câmara Municipal de Caminha também não pode continuar alheada ou produzir declarações de circunstância para adormecer os problemas. Tem obrigação de agir, defender os interesses concelhios, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar o alastrar desta onda de desemprego.

Às trabalhadoras e aos trabalhadores da Regency, o Núcleo de Caminha do Bloco de Esquerda manifesta solidariedade, coloca-se ao seu lado na defesa dos postos de trabalho e compromete-se a desenvolver os esforços políticos que lhe competem, no âmbito concelhio e nacional, para denunciar a situação.

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE ESTE TEMA: 22NOVEMBRO2009   6JUNHO2009   24MAIO2009

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6 comentários so far
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Que a fábrica está a atravessar um periodo muito dificil em termos de encomendas todos nós sabemos há meses…que a Raymond se iria descartar de todas as responsabilidades perante os trabalhadores é que não!
Pensavamos ser parte de um grupo honesto. Pelos vistos enganaram-nos.
caso a fábrica feche, queremos que a Raymond assuma as indemnizações devidas!

Comentar por Raymond

Eis a verdadeira face do capitalismo. Instalam-se onde a mão de obra é barata e quando já não interessa, depois de sacarem o que podem, toca a levantar e ir “pescar para outro rio”. A razão de ser destes grupos é exclusivamente a exploração dos trabalhadores em beneficio do lucro, são completamente alheios ao bem estar das pessoas, é duro dizer isto, infelizmente estou plenamente convencido do que digo.
Perante esta situação é fundamental que os trabalhadores estejam unidos e que exijam o total cumprimento de todos os seus direitos.
É certo que o Sindicato é a organização que tem de os apoiar , penso no entanto que a Câmara Municipal de Caminha tem o dever, no mínimo, de disponibilizar apoio jurídico.

Comentar por Abílio Cerqueira

Os trabalhadores da Regency reuniram-se na segunda-feira dia 7 de Dezembro juntamente com o sindicato nas instalações da empresa para esclarecer as dúvidas e perguntas dos trabalhadores relativas ao pedido de insolvência judicial da Regency. Infelizmente, apesar do bom esclarecimento do sindicato, criaram-se ainda mais dúvidas, das quais algumas serão esclarecidas no seguinte texto. Ficam aqui também algumas outras perguntas para as devidas entidades responder.

Directores e Donos da Regency

O Sr. Raj Pai é Director e responsável pela Regency Têxteis Portuguesa Lda. O Sr. Avelino Ramos é Director da contabilidade e recursos humanos e o Sr. Arnaldo Soares é Director da produção, ambos respondem hierarquicamente ao Sr. Raj.

O Sr. Mukesh Mishra, Director e responsável pela Regency Têxteis Portuguesa Lda através do escritório da Raymond Europe na Inglaterra. O escritório é conhecido por vários nomes, exemplo, Regency UK, Raymond e Raymond Europe. O Sr. Mukesh tomou o cargo do Sr. Don há 3 anos. O Sr. Don estava citado como dono da Regency no registo de Caminha em Maio 2009.

O Sr. Mukesh representa a Regency à Raymond, nomeadamente perante o Sr. Ketpal que tomou o cargo de Director responsável da Raymond do Sr. Bandari. O Sr. Bandari estava citado como dono da Regency no registo de Caminha em Maio 2009.

O Sr .Raj, Sr.Avelino e Sr.Soares respondem hierarquicamente ao Sr. Mukesh.

1. Quais são os actuais donos da Regency?
2. Quais são os actuais procuradores e gerentes da Regency?
3. Houveram alterações desde Maio 2009 quando foi anunciado o lay off? Se sim, que alterações e porque?
4. Se o Sr. Mukesh não está citado como dono, nem gerente com procuração no registo de Caminho em Maio de 2009, que legitimidade tive, e tem, para gerir os negócios da Regency em Portugal?
5. Em que data é que a gerência terminou os contratos de vinculação à Regency? e porque?
6. Quem tomou a decisão de gerir a Regency neste regime?
7. Foi com o consentimento e conhecimento da gerência da Raymond?
8. A gerência da Regency já foi, ou será, compensada de alguma forma pelos donos?
9. À gerência já foram, ou serão, oferecidos vencimentos por serviços prestados a empresas do grupo?

Lay Off

O lay off foi aceite reconhecendo que teria de haver um desempenho grande pela parte comercial dado a falta de encomendas. Nem durante nem após o lay off foram comunicados os esforços ou resultados.

1. Quais os resultados durante o lay off de novos cliente ou novas encomendas que não estavam previamente reservadas, desenvolvidas ou surgiram como resultado da insolvência de um cliente?
2. Quais os resultados que foram devidos ao empenho do Director Comercial no seu novo cargo no escritório da Raymond Europe na Inglaterra?
3. Quais foram as outras medidas tomadas e quais os resultados?
4. Quais eram as opções previstas caso o lay off não resultasse e quais as razões, além de financeira, de pedir insolvência em vez de seguir outra via?

Activo de 2.900.000€

Este valor é atribuído pela gerência. Os valores de mercado, seja dos tecidos ou artigos depositado no armazém há anos, deverão constituir uma grande parte do activo que poderá estar desactualizado e não reflectir a desvalorização em termos de actualidade e procura no mercado. O valor do terreno, prédio e máquinas também sofrem da mesma perspectiva.

Em 2007 muito tecido foi devolvido à Raymond que tinha sido encomendado para um projecto de venda de marca própria que não resultou.

O armazém também contêm tecidos pagos pelos clientes junto com tecidos enviados pela a Raymond para armazenagem.

1. O valor do activo tem de ser reavaliado por peritos no assunto.
2. Em que data foi encomendado o tecido para o projecto?
3. Qual foi o valor, condições de pagamento e data de liquidação da factura da Raymond à Regency?

Credores

A Raymond está apresentada como a maior credora dado o fornecimento de tecido e ter assumido os ordenados de 2009. Apurou-se que a Raymond se apresentou como credora através de 3 empresas diferentes.

1. Desde quando é que a Raymond está a fornecer tecido sem receber pagamento?
2. Quais os valores de dívida por data desde o primeiro envio?
3. Antes de 2009, a Raymond, as suas empresas inclusivo os actuais credores, ou os seus escritórios na Inglaterra emprestaram dinheiro a Regency, seja para ordenados ou para outro efeito?
4. Se sim, quais os valores e para que efeito?
5. Se houve empréstimos de dinheiro, e não investimentos, onde estão os contratos de empréstimos junto com as condições?
6. Alguma parte da contabilidade de negócio dos escritórios da Inglaterra, mesmo que não haja confecção em Portugal, faz parte da contabilidade e dívida da Regency apresentado pela Raymond?
7. As encomendas de tecidos para o negócio da Raymond Europe com confecção na Regency foi facturado a quem?
8. Se vem a ser conhecido que o fornecimento de tecidos da Raymond arrasta há anos, como é que a Raymond justifica apresentar-se como credora?
9. O fornecimento de tecido não teria de ser visto pela Raymond como um investimento e aceitação de viabilidade? Agora tornou-se em dívida para satisfazer algum objectivo?
10. Foram comprados muitos tecidos a um cliente que logo depois pediu insolvência. A Regency ficou com grandes dividas de milhões de Euros. A Regency ou outra empresa ficou com credora?
11. Qual foi o valor?
12. Continuamos a trabalhar como o mesmo cliente mas agora com outro nome utilizando os tecidos comprados, qual é a posição da divida e as expectativas de recuperar tudo ou parte do valor ainda?
13. Houve falta de experiência em prever decisões de tal risco? Por quem?

Encomendas e Comercial

O Sr. Manuel Almeida entrou para a Regency como Director Comercial há 3 anos para procurar novos clientes para a Regency, e por o que se houve para as fábricas da Raymond na India. O Sr. Manuel foi apresentado como experiente no mercado e vindo da conceituada Maconde. Em meados de 2008 começou-se a notar os conflitos entre o Sr. Manuel e a gerência que resultou na sua demissão e saída da Regency Portugal a 31 de Julho 2009. Se o Sr. Manuel deu 2 meses à casa, a gerência sabia antes do lay off que não iria ter um Director Comercial.

1. Qual foi a proporção de tempo atribuído somente à procura de clientes para a Regency Portugal pelo Sr. Manuel até à sua demissão?
2. Quais as providências tomadas para resolver os conflitos entre a gerência e o Sr. Manuel de forma a não perder um indivíduo experiente para um cargo essencial na Regency?
3. Quais os esforços para encontrar um novo Director Comercial?
4. Quais as razões da Raymond oferecer o mesmo posto de Director Comercial ao Sr. Manuel apenas com alteração de localização para os escritórios da Inglaterra? Não será pela pesquisa do mercado inglês, conforme indicado pelo Sr. Mukesh, dado à falta de resultados de encomendas na Regency.
5. Até quando é que a Regency tem encomendas para laborar sem quebras na produção?
6. Quais as reservas actuais para 2010? Quantos dias de preparação e confecção, inclusive valores, poderão ser atribuídos às reservas?
7. Quais as previsões para os próximos 3 meses? Qual o valor atribuível?
8. Os preços actualmente praticados e oferecidos aos clientes reflectem preços sustentáveis para a Regency em Portugal?
9. Quem acorda os preços desde a demissão do Sr. Manuel do seu cargo em Portugal?
10. Na semana passada foram pedidos moldes de clientes pela a gerência, um de qual tem reservas para Janeiro 2010. Quem é que os pediu? Para que efeito? Para onde foram enviados dado que só uma fabrica os pode abrir?
11. Qual é a actual estratégia da Raymond em relação à pesquisa de encomendas para a Regency pelo o Sr. Manuel?

Facturação

No início de 2009 foi comunicado pelo o Sr. Mukesh que foi criada a empresa Raymond Europe com sede nos escritórios da Inglaterra. Todas as encomendas da Regency utilizando tecido Raymond , inclusive as encomendas obtidas pelo Sr.Manuel Almeida para as fábricas na India, teriam de ser encomendadas e facturadas à Raymond Europe. Este pedido foi justificado como necessário e a pedido da Raymond para o seu nome ser representado na Europa.

1. Desde quando foram encomendas obtidas pelo o Sr. Manuel, encomendadas e facturadas pela Raymond Europe?
2. Quais dos clientes actuais foram informados desta alteração?
3. A partir de que encomendas se aplicaram as alterações?
4. Todas as encomendas facturadas pela Raymond Europe utilizavam tecido Raymond?
5. A Regency facturou todas as encomendas à Raymond Europe?
6. Ao preço facturado ao cliente?
7. As facturas da Regency estão todas liquidadas pela Raymond Europe e o dinheiro em contas bancaria Portuguesas?
8. Ao preço completo ou com algum desconto por pagamento antecipado?
9. A facturação de negócio e lucro da Regency das encomendas obtidas para as fabricas da Raymond está liquidado?

Finanças Internas

Foi comunicado que a Raymond assumiu os ordenados da Regency durante o ano 2009. Do mês de Junho 2009 até Novembro 2009, a empresa em Lay-off, usufrui da ajuda da segurança social no pagamento dos ordenados, continuando a laborar e portanto a facturar e receber dinheiro.

O governo investiu na Regency 300.000€ em Outubro 2008 no âmbito do programa SI Inovação, tendo a mesma usufruído de apoios financeiros do Governo há muitos anos e com a ajuda e apoio da Câmara de Caminha para salvaguardar os empregos dos 180 trabalhadores.

1. Se as ajudas chegaram de todos os lados durante o ano 2009 e mesmo antes, se os custos da Regency foram diminuídos graças a estas ajudas, onde está o dinheiro recebido pela Regency entretanto?
2. Quais foram as medidas tomadas para dar uso ao investimento de 300.000€?
3. Onde estão as provas dessas medidas? Há alguma facturação ou prova relativa a esses gastos?

Comentar por Regency

Caro/Cara “Bloguista” ( não o/a trato por Regency porque, que eu saiba, as empresas ainda não falam) essas questões que coloca sabe perfeitamente que não é aqui que vai obter as respostas.
Deveria ter a coragem de as colocar a quem de direito, que neste caso penso ser a gerência dessa empresa e da qual eu tenho a certeza, por aquilo que li, que você faz parte dela, pois parece estar muito bem informado/a. Quem sabe até se, para além de ter as perguntas, você não tem também as respostas e apenas se serve deste espaço para “lavar roupa suja” e lançar a confusão.
Deduzo também que já devia ser conhecedor/a de algumas situações há algum tempo. Não terá sido conivente com algumas delas?
Já dizia o meu bisavô…..”Quem cala consente” e “tão culpado é o que vai roubar a fruta como o que fica a vigiar”.
Tenha cuidado com o que diz na praça publica, uma coisa é informar e outra bem diferente é especular.
Tenho dito.

Comentar por Martins

Tal como o comentario do Martins, concordo que quem se esconde por detras de uma identidade falsa ou ainda pior neste caso, ursupando a identidade da empresa,nao haje de boa fé. Daí tal como ele pensar que quem o escreve agora sobre o anonimato só quem lançar confusão para ver se no meio sai ileso.
Faz muitas perguntas, mas é impossivel responder uma vez que nao se sabe a quem!

Comentar por Manuel Almeida

Obrigada SIC ,gostei de saber que só tenho trabalho para mais uma semana, foi pena a gerência não ter dito o mesmo.O micro não estava a trabalhar? falavam sem micro. Não merecem consideração se não o tem comigo.

Comentar por Uma (Des)empregada




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