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Com os Trabalhadores da Regency
2009/12/14, 23:30
Filed under: Núcleo de Caminha

Responsavelmente, sempre com os trabalhadores da Regency

Há sete meses, quando a gerência da Regency decidiu entrar em lay-off, o Bloco de Esquerda questionou o governo sobre a situação, através do seu grupo parlamentar. Tínhamos sérias dúvidas sobre a bondade de intenções do maior grupo empresarial têxtil da Índia, que detém a totalidade do capital da Regency Têxteis Portuguesa. O relatório de contas 2008-2009, a que tivemos acesso, revelava crescimento e aumento da rentabilidade dos negócios do grupo mas dava conta do encerramento de fábricas na Bélgica e nos Estados Unidos, do reforço das apostas na própria Índia e de novos investimentos na Roménia devido a “baixos custos operacionais”. Em relação à subsidiária portuguesa, esse mesmo documento apontava o caminho do desinvestimento.

Perante estas evidências quisemos ouvir a gestão da Regency e os trabalhadores. A direcção da empresa não nos recebeu. Os trabalhadores com quem falámos queixaram-se da falta de informação sobre os problemas e sobre a verdadeira natureza das dificuldades. Nessa mesma altura, a Presidente da Câmara de Caminha reunia com a direcção da empresa e caucionava com palavras simpáticas a qualidade da gestão.

Findo os seis meses de lay-off, é anunciado o pedido de insolvência. Aos poucos, as peças deste “mosaico de enganos” vão aparecendo. É invocada a falta de encomendas em carteira e uma dívida pesada em vias de incumprimento. Curiosamente, uma parte muito significativa dessa dívida tem o próprio grupo como credor.

Chegados aqui, é fundamental que se perceba o que foi feito para manter e conquistar encomendas. Ou até, se pelo contrário, os esforços dos donos da Regency se orientaram no sentido inverso. A alteração do vinculo à empresa dos colaboradores com responsabilidades de direcção, que terão passado à situação de “recibos verdes”, poderá ser também indício de má-fé em todo este processo.

Um ponto resulta com muita clareza nesta altura: a versão conveniente para quem possa estar interessado em acabar com os mais de 170 postos de trabalho da fábrica de Vilarelho é a de que isso resulta das actuais circunstâncias de mercado. Infelizmente, a maior parte da comunicação social difundiu esta mensagem com uma ingenuidade confrangedora, sem questionar mais. O Núcleo de Caminha do Bloco de Esquerda emitiu um comunicado, mal tomou conhecimento do pedido de insolvência, em que procurou desmontar esta versão mas que, estranhamente, não teve eco suficiente na imprensa.

A senhora Presidente da Câmara de Caminha, quando o assunto ganhou expressão mediática incontornável, decidiu finalmente receber trabalhadores e sindicatos. Pelo que a própria declarou, a direcção da Regency agora não esteve disponível para participar nesta reunião. Do que foi noticiado, desse encontro apenas resultou que o próximo passo do executivo municipal será reunir com o Governador Civil de Viana do Castelo. Para além disso, questionada sobre as dúvidas levantadas pelo comunicado do Bloco de Esquerda classifica-as de aproveitamento político e de “não ser a posição mais inteligente”.

O Núcleo de Caminha do Bloco de Esquerda entende que a luta pela defesa dos postos de trabalho da Regency deve unir todos os trabalhadores da empresa e todos os caminhenses. Defendemos que a Câmara Municipal participe activamente na procura de soluções. Mas jogos de baixa política, como estas declarações da senhora presidente, desvalorizando denúncias oportunas só porque provêm de adversários políticos, não auguram seriedade no tratamento de um assunto que exige empenho e sentido das prioridades.

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4 comentários so far
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Deixemo-nos de politiquices Dª Júlia Paula!!!
A verdade é que o único que tem demostrado interesse pelo caso Regency é o Bloco esquerda. Pouco me importa saber qual o fim ou a razão primeira. Como trabalhador da Regency, neste momento, a única coisa que me interessa é que me ajudem a salvar o meu posto de trabalho. Por mim até podia ser o Pai Natal …

Comentar por Raymond

Completamente e acordo com o artigo. Devo dizer que é espantoso dizer-se que hà aproveitamento político e de “não ser a posição mais inteligente”. Realmente para alguns partidos, a posição mais inteligente é as classes mais desfavorecidas necessitarem de caridade, para isso nada melhor que mendigar-mos ajuda, era o que mais faltava, a atitude do Bloco de Esquerda está correctíssima, os trabalhadores não se iludam, têem de estar unidos, exigir que o seu sindicato actue como o verdadeiro representante não podendo este omitir qualquer informação aos seus associados e a todos os outros trabalhadores.

Comentar por ACerqueira

Oh que bom!!! O administrador nomeado é o da Quimonda…Agora sim, temos solução!!!

Comentar por Silverspark




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