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Assembleia Municipal de Caminha – 28 de Junho (P.A.O.D.)
2013/06/29, 15:22
Filed under: Núcleo de Caminha

Uma esquerda livre e crítica, radical na vontade de ir ao fundo dos problemas

Intervenção de Paulo Torres Bento, no Período Antes da Ordem do Dia na Assembleia Municipal de Caminha de 28 de Junho de 2013:

paulo 2“Será provavelmente esta a última vez em que, por muito tempo, me encontrarei nesta Assembleia como eleito dos caminhenses para aqui representar uma visão assumidamente de esquerda, de uma esquerda livre e crítica, radical na vontade de ir ao fundo dos problemas e de propor soluções que defendam a causa pública e a justiça social em detrimento de interesses económicos ilícitos e do aprofundamento das desigualdades entre os cidadãos.

Independente partidariamente, como era e continuo a ser, integrei as listas do Bloco de Esquerda em 2009 porque, como afirmei na minha declaração de candidatura, não se conseguiu já na altura ultrapassar a “absurda incapacidade da esquerda portuguesa [neste caso, caminhense] em encontrar plataformas de entendimento”, sendo que o Bloco, tanto pela inovação e irreverência das suas posições como pela ausência de uma organização interna rígida ou clientelar, me pareceu então a força partidária mais próxima de poder vir a quebrar esse tabu, facilitando o diálogo entre as diversas sensibilidades da esquerda.

Pensei pois, e muitos caminhenses pensaram do mesmo modo, que o Bloco poderia fazer alguma diferença nesta Assembleia Municipal de Caminha; (1) pela preparação e fundamentação das diversas questões aqui trazidas ou tratadas; (2) pela frontalidade no modo de as apresentar, não cedendo no campo dos princípios, mesmo que afrontando interesses instalados; (3) na capacidade de estabelecer pontes entre as diversas forças aqui representadas, dos partidos às juntas de freguesia, não fugindo aos consensos quando tal se revelasse necessário para melhor defender os interesses do município.

Sem falsas modéstias, mas também sem ilusões sobre a relatividade de um juízo desta natureza, cremos ter cumprido os propósitos que aqui nos trouxeram — independentemente do deputado municipal que, uma ou outra vez, representou o Bloco — respeitando o mandato outorgado pelos caminhenses a quem prestámos sempre contas de todas as intervenções através da Internet (não cremos que mais alguém o tenha feito); valorizamos particularmente a nossa quota-parte de responsabilidade na alteração do regulamento dos incentivos aos estudantes do ensino superior: se o resultado não foi exatamente o que desejaríamos — sobretudo em termos do prazos de atribuição das bolsas, muito tardio para as necessidades das famílias —, foi este um caso único em que o executivo se predispôs a trabalhar connosco.

A propósito, como aliás adivinhávamos, diga-se que não é fácil ser oposição numa Assembleia Municipal, ainda para mais quando se está sozinho a representar um partido; para além das limitações de tempo, há também uma desigual organização dos momentos de intervenção e um bem diverso conhecimento dos dossiês por parte do executivo e da oposição; ainda assim, com a entrada em vigor do novo regimento — para o qual demos uma importante contribuição — foi possível introduzir o direito de réplica no PAOD por grupo parlamentar, antecipar o aceso à documentação e dignificar a intervenção do público.

Independentemente dos resultados finais dessas lutas — ainda não completamente conhecidos mas com prognósticos reservados — valorizamos também aquelas ocasiões em que foi possível obter consensos políticos na recusa à lei de extinção das freguesias e à imposição da fusão dos dois agrupamentos escolares públicos do município; em ambos os casos, sem abdicar de responsabilizar os culpados por estes atentados à identidade territorial e à carta educativa municipal — o governo atual e, pelo menos na intenção, aquele que o antecedeu — procurámos trabalhar em conjunto com todas as forças partidárias desta Assembleia para a melhor defesa dos interesses do concelho — mesmo quando se percebeu que nem todos estávamos com disposição igual para afrontar o Terreiro do Paço.

Na verdade, e aqui reside um dos grandes problemas da política autárquica portuguesa, é muito difícil encontrar quem tenha coragem de assumir posições críticas com frontalidade, sempre que elas colidam com os propósitos de quem maneja os orçamentos ou… os vencimentos; isto vale do município para com o governo central; das freguesias para com as Câmaras; e dos cidadãos para com as administrações central e autárquica, pela partidarização de que ambas enfermam em Portugal.

Não ousamos dizer que Caminha seja um caso único — bastaria o exemplo da Madeira para o desmentir — mas foi gritante nestes doze anos que o PSD leva de maioria absoluta, a falta de cultura democrática que exibiu na política local, sempre demasiado crispada para que pudessem ser encontradas as soluções que unissem os caminhenses e permitissem ao concelho sair da crise em que está mergulhado; para bem de todos, esperamos sinceramente que a próxima etapa autárquica que se inicia em Setembro possa ser nesse aspeto em tudo diferente do que vem sucedendo até aqui — a começar já pela campanha eleitoral.

Como é público, pelas razões que são conhecidas e que muito honram os seus ativistas locais e distritais, o Bloco de Esquerda não se apresentará a votos, pelo que não estará representado nos próximos órgãos autárquicos; ninguém mais do que eu lamenta essa ausência mas quero acreditar que, para a esquerda livre e crítica, será um passo atrás para, mais tarde, dar dois à frente; seja qual for o formato que assumir esse regresso que, como sempre em Democracia, dependerá da vontade manifestada pelos eleitores caminhenses.”

Paulo Torres Bento – Deputado Municipal do Bloco de Esquerda

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1 Comentário so far
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O Bloco de Esquerda fez a diferençara na Assembleia Municipal de Caminha e na politica caminhense, imagine-se que o BE não tivesse tido representação nesta AM. A mim parece-me evidente que existe défice democrático na nossa terra, instalou-se o medo, tudo o que foge ao controle deste poder é para abater. Sei que não foi fácil para o deputado municipal do bloco de esquerda enfrentar politicamente este executivo, mas tenho a certeza que os caminhense reconhecerão que o balanço destes quatro anos foi muito positivo. O caminho faz-se caminhando!

Comentar por Abílio Cerqueiara




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