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Assembleia Municipal de Caminha – 28 de Junho (2)
2013/07/03, 9:12
Filed under: Núcleo de Caminha

Incubadora de Empresas

“Independentemente dos diferentes posicionamentos políticos, numa coisa estaremos todos certamente de acordo: é preciso fazer alguma coisa para inverter a espiral recessiva em que o país está mergulhado, cujos duas maiores evidências são a falência de empresas e o alto  nível de desemprego, nunca antes atingido — uma situação que se repete, porventura agrava, no concelho de Caminha, onde nos últimos anos assistimos ao fechar das maiores empresas.

Uma dessas falências, talvez a mais dramática pelo número de pessoas atiradas para o desemprego (174), foi a da têxtil Regency no final de 2009, tendo pois um caráter simbólico que seja em parte das suas antigas instalações, entretanto adquiridas por um empresa imobiliária (a COMPRIL) que se preveja agora a criação da primeira incubadora de empresas do concelho.

incubadoraEVem já tarde esta incubadora, sabendo nós que a crise é agora muito profunda e que, entretanto, (1) muitos caminhenses foram ficando desempregados e se viram obrigados a procurar trabalho nos concelhos vizinhos ou a regressarem aos caminhos da emigração; (2) outros, como os jovens à procura do primeiro emprego, quantos deles altamente qualificados, não tiveram grande ajuda para iniciarem a sua vida profissional e, também eles, seguiram o caminho da emigração — só para se perceber quão tarde chega este projeto, basta recordar que a proposta de criação de “dois pólos de incubação de empresas” estava já no programa eleitoral do BE em 2009 (foi o único partido a incluir a ideia no seu programa, pelo menos de modo explícito).

Curiosamente, a primeira vez em que foi anunciada a reutilização das instalações da antiga Regency para a criação de um “pólo tecnológico” ou “ninho de empresas”  foi entre Novembro de 2010 e Janeiro de 2011, com diversas notícias saídas na imprensa nacional, adiantando então a COMPRIL um investimento de 3 milhões de euros (400.000 terão sido para a compra do imóvel com os seus 4000 m2), a promessa de criar mais de 170 postos de trabalho, e a vontade, cito do jornal “Público”, “em captar empresas que tenham uma estratégia de inovação, que prestam serviços, em especial no sector do turismo, energias e gastronomia”.

Entre os factores de atratividade do projeto, adiantava-se uma aliança estratégica com a TecMaia, uma boa promessa tendo em conta a experiência que esta vem desenvolvendo no Parque Tecnológico da Maia, nascido a partir da antiga Texas Instruments. É bem verdade que o diretor-geral da TecMaia, António Tavares, avisou logo para quem o queria ouvir que, cito do jornal on-line da Maia “Primeira Mão”, “a fechar alguma coisa [nas negociações com a COMPRIL], será com transferência de tecnologia, experiência, nunca como investidores. Não fazia sentido investirmos fora da Maia”.

logotecContudo, a vontade de associar o prometido pólo tecnológico de Vilarelho à TecMaia era tanta que, quando a COMPRIL colocou no mercado, em Junho de 2012, os espaços da antiga Regency já aparecia o nome de TecCaminha — para que conste, apesar de nenhum benefício ter sido entretanto efetuado no local, cada um dos 32 espaços de 90 m2 tinha então o preço de 70.800 euros (enfim, com a promoção até ao final desse mês, ficava a 59.000).

Entretanto, passou um ano inteiro, a COMPRIL fala agora mais modestamente de 1 milhão de euros de investimento e, que se saiba, nenhuma empresa se instalou no TecCaminha; já a propósito deste protocolo, quando em 15 de Março último foi entrevistado pela “LocalVisão”, o sócio-gerente da COMPRIL, João Luís de Sousa, questionado sobre que empresas tinham já agendadas para o TecCaminha, referiu duas: a Caixa de Crédito Agrícola do Noroeste e, talvez, o Hospital de Viana, ambas para armazenarem o seu…arquivo morto! Para quem prometia tecnologia, ciência, inovação, energia e gastronomia…não está mal.

pintoImaginamos, pois, com que alegria a COMPRIL não terá recebido em Março a proposta da Câmara Municipal de Caminha — a 6 meses das eleições, note-se — para a montagem de uma incubadora de empresas nas instalações da antiga Regency, limitada à sua área administrativa, ainda por cima garantindo o município as obras que o espaço precisa, o mobiliário, e suportando todas as despesas de eletricidade, água, etc.; não admira que o sócio-gerente da COMPRIL tenha afirmado que a incubadora, cito, vai também ser um importante contributo para a dinamização do polo empresarial e tecnológico”. “também”? Pois se não têm lá mais nada…

Com todas estas reservas, em coerência não poderíamos deixar de desejar que corra bem esta tardia experiência de incubadora empresarial municipal, para bem do tecido económico local e da criação de emprego no concelho de Caminha; estamos porém apreensivos; a COMPRIL é uma empresa imobiliária sem qualquer experiência nesta área e o desaparecimento da TecMaia dos parceiros estratégicos não é uma boa notícia; em sua substituição, aparece uma empresa de Viana chamada Open Space, da qual só se conhecem projetos de formação, não de gestão deste tipo de espaços empresariais abertos e inovadores; o futuro dirá se haveria, ou não, razão para esta nossa apreensão.”

Paulo Torres Bento – Deputado Municipal do Bloco de Esquerda

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