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Assembleia Municipal de Caminha – 12 de Agosto
2013/08/12, 22:20
Filed under: Núcleo de Caminha

Festival de Vilar de Mouros refém de um protocolo imposto pelo PSD de Caminha

Intervenção de Carlos da Torre em representação do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal Extraordinária de 12 de Agosto de 2013:

ctctHá quarenta e dois anos, António Barge, um homem com grande capacidade para aproximar a realidade dos sonhos do tamanho do mundo, mobilizou Vilar de Mouros e o concelho de Caminha para um dos momentos culturais mais marcantes de sempre num Portugal vigiado nos costumes e nas ideias. Vivíamos a fase final da ditadura que só três anos depois seria derrubada pelo movimento dos capitães.

Foi de uma ousadia enorme, atrair para uma pacata aldeia muitos milhares de jovens vindos de diversos pontos da Europa para expressarem e viverem a sua liberdade em contraste profundo com o ambiente político e cultural que ainda dominava o país.

vm0003Foi de uma ousadia enorme, o formato eclético do programa do festival. Da música mais tradicional à mais inovadora. Do fado ao rock. Das grandes vedetas internacionais como Elton John a músicos quase desconhecidos na altura.

O Festival colocou Vilar de Mouros na boca do mundo. Pela música. Pela beleza da paisagem. Pela capacidade das pessoas para lidarem com este mundo diferente que as inundou durante aqueles dias. (Não sem muitas peripécias, é verdade!) Pelas discussões muito alargadas que provocou sobre a revolução de costumes que alastrava pela europa.

O Festival manteve-se muito na matriz original na edição realizada onze anos depois, em 1982. Curiosamente, com maiores incidentes organizativos e talvez menos bem resolvido no alinhamento das diferenças de gosto musical mais difíceis de conciliar. E é óbvio que o novo contexto político, social e cultural do país lhe deu um cariz absolutamente diferente. Os que se foram realizando mais tarde tiveram um formato mais próximo de outros festivais que entretanto se desenvolveram no país com apoio das grandes cervejeiras. Menos apostados naquela “convivência improvável” de géneros musicais e de gerações de público, que deram uma dimensão cultural muito especial aos primeiros festivais de Vilar de Mouros.

vilardemouros01Certo é que a memória do Festival de Vilar de Mouros, muito pelo seu momento inicial, constitui um património cultural valiosíssimo. E, o simples nome do festival, uma marca diferenciadora com um potencial económico indiscutível. Em condições normais, de competência e capacidade de trabalho político razoável, qualquer concelho saberia tirar partido disso, desde logo nas vertentes culturais e turísticas. Caminha, em nosso entender, nunca o fez da melhor forma. E nos últimos anos a inépcia em relação a este assunto foi completa e escandalosa.

Haverá múltiplas razões para as dificuldades. Pois sim! Mas o executivo municipal deu sempre os piores sinais. Conflitualidade mesquinha quando a freguesia não era da sua cor política. Desinteresse quando a junta passou a ser da sua cor política. Falta de política cultural e respectivo enquadramento do festival. Falta de estratégia integradora para o turismo. Incapacidade notória para mobilizar ideias e pessoas em torno de um novo impulso para o festival. Incapacidade para perceber sequer o desperdício das oportunidades que deixou passar. Incompetência e desinteresse, definem claramente o papel da Câmara em relação ao festival.

Agora, a seis semanas de eleições autárquicas, propõe à Assembleia Municipal que, em reunião extraordinária convocada à pressa para o efeito, ratifique um protocolo para entregar a organização do Festival de Vilar de Mouros à Associação dos Amigos do Autismo de Viana do Castelo durante os próximos quatro anos.

Que podemos dizer sobre isto?

Que não é politicamente sério fazer este tipo de protocolos no final do mandato, condicionando o mandato seguinte?

Já o dissemos em relação às inúmeras situações deste tipo com que o executivo municipal nos tem surpreendido nos últimos meses. Ainda na última assembleia tentamos evitar que fossem cedidas competências municipais a uma associação de direito privado por 30 anos. Em vão! Porque a maioria nesta assembleia aceita facilmente ser cúmplice nestes processos.

Além disso, todos temos consciência de que, e isto apesar de toda a consideração que os propósitos desta associação nos merecem, este protocolo é demasiado arriscado para todas as partes, desde logo pela total inexperiência da AMA a organizar eventos deste tipo.

Consideramos também que o festival pode e deve ser uma peça importante na estratégia municipal para o nosso desenvolvimento. Por isso, o concelho ao invés de o hipotecar deveria dar-lhe maior importância e o respectivo enquadramento nas políticas cultural e turística, em articulação com a freguesia de Vilar de Mouros.

Inclusive, este protocolo está longe de ser razoável e justo para com a freguesia que teve a grandeza de promover e acarinhar a génese e que acolhe o festival, prestando assim inquestionáveis serviços ao concelho.

Se o tempo de que dispomos nos permitisse, poderíamos invocar aqui um sem número de razões que desaconselham este protocolo, pelos termos em que está formulado e pelo momento em que está a ser firmado. Contudo, estamos convencidos de que nada se alteraria de fundamental no resultado da votação. E essa é, infelizmente, uma das grandes fragilidades da nossa democracia local.

Estamos sinceramente convencidos de que, em boa consciência, este documento aqui e agora não seria aprovado se cada um de nós pusesse os interesses de Caminha no centro da sua decisão.

O Bloco de Esquerda votará de acordo com a sua convicção do que melhor serve os interesses do concelho de Caminha. Por isso, não aceitamos este protocolo.

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2 comentários so far
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Lendo só uma opinião não é aconselhável fazer qualquer tipo de juízo!!!!!!!!!!!! Não sou Caminhense, mas do coração sou e serei sempre. Com calma se resolvem as coisas e não a fazer certo tipo de propaganda. Escreveram muito mas para quem está longe nada de concreto foi dito!!!!!!!!!!
Saudações

Comentar por maria joão lino

Cara Maria João Lino, não consigo entender bem o sentido do seu apelo à calma ou a que propaganda concretamente se refere. O que acabou de ler é o cumprimento da obrigação de um partido político na sua representação na Assembleia Municipal de Caminha, votar e explicar o sentido do seu voto sobre um protocolo que entrega a organização do festival de Vilar de Mouros a uma associação sem qualquer atributo que garanta capacidade para o organizar com o nível desejável A agravar, isto é feito abruptamente a seis semanas de eleições, retirando qualquer espaço de manobra a quem vier a ser eleito, seja de que partido for. Para nós isto é inaceitável num quadro de bom senso e seriedade política. Percebemos mal, ou a senhora considera esta nossa atitude desadequada?

Comentar por carlosdatorre




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