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Comemorações do 25 de Abril em Caminha
2014/04/25, 17:01
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Comemorar o 25 de Abril é também resistir à infâmia!

ct25a2014Intervenção do Bloco de Esquerda na Sessão Solene Comemorativa do 25 de Abril promovida pela Assembleia Municipal de Caminha, onde o BE não tem eleitos por não se ter candidatado nas últimas autárquicas, mas para a qual foi convidado por decisão consensual da AM onde têm representação a CDU, o PS e o PSD:

“Antes de mais, e em nome do Bloco de Esquerda, gostaria de expressar um reconhecido agradecimento à Assembleia Municipal pelo convite para termos voz aqui, neste dia que nos é tão caro.

E dizer também, que registamos com muito apreço a existência de um consenso na Assembleia Municipal de Caminha para dar um carácter plural e mais democrático a esta Sessão Solene Comemorativa do 25 de Abril, após mais de uma década de comemorações a uma só voz, com a única excepção no ano de 2011.

Esta atitude ganha ainda maior significado, pelo contraste com a da Assembleia da República, ao pretender, na sua sessão solene deste quadragésimo aniversário, a presença dos capitães de Abril em papel decorativo. Remetidos ao silêncio. Um sinal evidente do muito que separa a actual maioria que governa o país do 25 de Abril dos Capitães.

Cidadãos de Caminha,

há momentos, na nossa vida pessoal e na nossa vida colectiva, que se impõem com toda a sua força para serem lembrados pelas melhores razões. Para aqueles que reconhecem o valor fundamental da Liberdade, o 25 de Abril de 1974 é concerteza o mais marcante de todos.

Em quarenta anos, muito já foi dito sobre a Revolução dos Cravos. Mas há muito para ser dito, sempre. Da generosidade dos capitães que souberam, a partir das preocupações da sua própria vida, olhar para a vida dos portugueses e devolver a liberdade e a dignidade numa acção ousada e corajosa. Dos que lutaram antes e continuaram a lutar depois, pela liberdade e pela justiça. Dos que diziam e escreviam o que pensavam, quando isso correspondia a um grande risco pessoal, mas quando era também decisivo para contrariar o pensamento único e conformado que a ditadura procurava impor por todos os meios.

Há muito para ser dito também sobre aqueles primeiros dias, meses e anos. Sonhos, esperanças, alegrias, lutas por um Portugal mais solidário, erros, e muitas traições por interesses mesquinhos ou por cegas ambições pessoais.

Mas o que tem que ser dito, com toda a clareza, é que o maior erro da revolução foi ter deixado de o ser cedo de mais. Aos poucos, os velhos poderes económicos e financeiros refizeram-se do susto e trabalharam com eficácia para suster o ímpeto de mudança para uma sociedade mais justa.

O modelo de responsabilidade social, de todos para com todos, consagrado pela constituição de 1976, foi sendo desde logo combatido pelos sectores mais conservadores da sociedade portuguesa e dissimuladamente desvalorizado pela maior parte dos que governaram o país desde aí.

Mesmo assim, foram muitas as mudanças profundas. No acesso aos cuidados de saúde. Na democratização do ensino. Nas condições de trabalho. No apoio à cultura e à ciência. Etc. Etc. Quem viveu o Portugal dos anos setenta e as décadas seguintes conhece bem as diferenças.

Mas há muito que a governação do país entrou em divergência prática com os ideais de Abril. E esta divergência nos últimos anos passou a ruptura absoluta. A crise é o cenário perfeito para o regresso ao passado que sempre quiseram.

Por isso, o que tem que ser dito é que celebrar o Abril da Liberdade e condenar o povo à pobreza e à escravidão da competitividade sem escrúpulos, é uma infâmia.

Por isso, o que tem que ser dito é que celebrar o Abril da Liberdade e vender Portugal ao desbarato e empurrar os portugueses para fora do seu país, é outra infâmia.

Por isso, o que tem que ser dito é que celebrar o Abril da Liberdade Inteira que 74 prometia, esvaziando-o dos seus valores fundamentais, é demais!

Por isso, comemorar o 25 de Abril quarenta anos depois é um apelo de consciência pela dignidade da vida para todos, pela liberdade e pela democracia. É não desistir de uma sociedade mais justa. É não aceitar o conformismo do “inevitável”. É partilhar dificuldades e sonhos. É promover uma sociedade solidária e não caritativa. É alimentar ambições para todos em oposição à ganância dos do costume. É aprofundar a democracia e as responsabilidades sociais de todos para com todos. É exigir verdade e respeito pelos compromissos democrático e não aceitar legitimações de poder assentes em mentiras ou em manipulação de interesses obscuros.

Comemorar o 25 de Abril é também resistir à infâmia!

Viva o 25 de Abril!”

Carlos da Torre em representação do Bloco de Esquerda

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